Uma jovem de 21 anos, grávida de oito meses, perdeu a bebê que esperava após buscar atendimento médico em duas ocasiões na Maternidade Célia Câmara, localizada em Goiânia. A família da gestante contesta a assistência prestada pela unidade, apontando especificamente uma demora na realização de um exame de ultrassonografia obstétrica durante a madrugada de terça-feira (1º), momento em que a paciente apresentava sinais de alerta.
Natieli Oliveira da Silva, moradora do Jardim do Cerrado, retornou à maternidade com quadro de sangramento, cólicas intensas e contrações. A família relata que, apesar da urgência do caso, a realização do exame foi postergada, gerando indignação e questionamentos sobre a disponibilidade de profissionais especializados no período noturno dentro de uma unidade de referência para emergências obstétricas.
Protocolos de atendimento e a cronologia dos fatos
De acordo com informações fornecidas pela direção da Maternidade Célia Câmara, o primeiro atendimento de Natieli ocorreu na quinta-feira (27). Naquela data, a paciente estava com 32 semanas de gestação. Os registros clínicos da unidade indicam que a pressão arterial estava em 130/80 mmHg, sem evidências de sangramento ou contrações, e com o colo uterino fechado. Os batimentos cardíacos da bebê, que receberia o nome de Cecília, foram aferidos em 148 por minuto, com movimentação fetal presente.
O retorno à unidade aconteceu na madrugada de terça-feira (1º). A direção da maternidade informou que a paciente foi atendida por um médico às 2h40, após ter dado entrada na unidade às 2h16. Durante este atendimento, foram realizados exames obstétricos, avaliações com sonar Doppler e cardiotocografia. Contudo, a equipe não conseguiu identificar os batimentos cardíacos fetais, o que levou à solicitação imediata da ultrassonografia com Doppler para confirmar o óbito.
Questionamentos da família sobre a assistência
O pai da criança, Elias, manifestou profunda insatisfação com a logística da maternidade. Em um vídeo que circula sobre o caso, uma familiar de Natieli relata a dificuldade em conseguir o exame de imagem, afirmando que a equipe teria informado a indisponibilidade de um profissional para realizar o procedimento no momento em que a gestante mais precisava. A família questiona como uma unidade de emergência pode operar sem um ultrassonografista de plantão para casos críticos.
A direção do hospital, em nota oficial, reiterou que todos os protocolos assistenciais foram seguidos conforme a avaliação clínica apresentada pela paciente em ambos os atendimentos. A unidade destacou que, após a confirmação do óbito fetal, foram adotadas as medidas necessárias para a indução do parto e que Natieli recebeu assistência integral, incluindo analgesia para o manejo da dor durante o processo.
Revisão de fluxos e medidas administrativas
Diante da repercussão do caso, a administração da Maternidade Célia Câmara informou que está realizando uma revisão rigorosa de todos os protocolos internos. O objetivo, segundo a nota, é avaliar se houve falhas nos fluxos de atendimento e, caso necessário, implementar correções imediatas para evitar que situações semelhantes ocorram novamente. A instituição reforçou seu compromisso com a transparência e afirmou que as medidas cabíveis serão tomadas após a conclusão da análise interna.
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