ataque que matou jornalistas em hospital visava câmera de vigilância do Hamas


Por Redação, O Estado de S. Paulo – 26/08/2025 14:47

O Exército de Israel afirmou nesta terça-feira, 26, que o ataque a um hospital em Gaza, que matou 20 pessoas, incluindo cinco jornalistas, na segunda-feira, 25, visava destruir uma câmera de vigilância do grupo terrorista Hamas. O ataque, que ocorreu em dois momentos, foi registrado em vídeo e as imagens correram o mundo, provocando indignação.

Em um comunicado, o Exército disse que essa câmera vigiava a movimentação das tropas israelenses. Israel também acusa o grupo terrorista de utilizar o hospital como um quartel-general para o armazenamento de armas.

Os cinco jornalistas mortos no bombardeio trabalhavam em veículos como Reuters, Associated Press (AP), Al Jazeera e Middle East Eye. As FDI disseram que seis dos 20 mortos foram identificados como terroristas do Hamas, incluindo um combatente que participou dos ataques de 7 de outubro de 2023, no sul de Israel.

Um tanque israelense disparou dois projéteis contra o hospital. O primeiro teve a câmera de vigilância como alvo e o segundo os terroristas que operavam no local, segundo o Exército de Israel.

ONU pede justiça

A ONU exigiu uma investigação após o ataque israelense contra um hospital em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. “É preciso haver justiça”, disse Thameen Al-Kheetan, porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU.

Apesar de pedir uma ampla averiguação do ocorrido, Al-Kheetan questionou os resultados de investigações anteriores para situações semelhantes. “As autoridades israelenses anunciaram, no passado, investigações sobre tais assassinatos. Ainda não vimos resultados ou medidas de responsabilização. Ainda temos que ver os resultados dessas investigações e pedimos por responsabilização e justiça”, disse Kheetan.

O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, lamentou o ocorrido e disse que o Exército israelense iria investigar os disparos. O comunicado sobre a câmera de vigilância fez parte de uma investigação inicial.

O chefe do Estado-Maior do Exército de Israel, Eyal Zamir, reconheceu várias “lacunas” na investigação até agora, incluindo o tipo de munição usada para destruir a câmera.

Indignação

As descobertas da investigação inicial foram divulgadas em meio a uma onda de indignação da comunidade internacional em relação a guerra na Faixa de Gaza, com relatos de uma epidemia de fome no território palestino.

Em Israel, manifestantes incendiaram pneus e bloquearam estradas durante protestos por um cessar-fogo que liberte os reféns israelenses. Cerca de 50 reféns seguem em Gaza, mas apenas 20 são considerados vivos.

Netanyahu deve participar de uma reunião com seu gabinete de segurança na tarde desta terça-feira. No entanto, o governo disse que a reunião não incluirá discussões sobre negociações de cessar-fogo.

O primeiro-ministro disse que Israel vai lançar uma ofensiva para tomar a Cidade de Gaza, enquanto simultaneamente negocia uma trégua com o grupo terrorista Hamas. Netanyahu aponta que a ofensiva é a melhor maneira de enfraquecer o Hamas e trazer de volta os reféns. (COM INFORMAÇÕES DA AP)



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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