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Incerteza não se resolve no liberation day; haverá mais incerteza


O diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, disse nesta segunda-feira, 31, que o debate sobre incerteza no cenário econômico não se resolverá com o chamado “Liberation Day”, na quarta-feira, 2, dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promete o anúncio de uma onda histórica de tarifas. A declaração foi dada durante o Ciclo de Palestras, organizado pela Faculdade ESEG, para tratar de conjuntura econômica, em São Paulo.

“Essa discussão do Liberation Day, eu não acho que a incerteza se resolve com esse dia. Enfim, a gente vai ficar com mais incerteza porque talvez, no dia seguinte, vai ter alguma discussão sobre tarifas que não foram implementadas, mas que podem vir a ser implementadas; qual vai ser a resposta dos países às tarifas que foram implementadas, algum escalonamento de tarifas, se houver uma resposta”, argumentou. “Claro que é uma data relevante, mas a gente está passando por várias datas em que a incerteza não se resolve. Você mantém sempre um prêmio por conta da incerteza”, ressaltou Guillen.

Ele apontou que, em relação à política monetária, esse debate suscita algumas discussões. Primeiro, sobre como o Federal Reserve (Fed) vai reagir e, segundo, sobre como isso vai ter um impacto no Brasil.

“No Fed, tem o lado de menor crescimento, mas ao mesmo tempo maior inflação. E a maior inflação pode se dar puramente por um aumento temporário de preços, ou seja, simplesmente uma mudança de nível de preço pelo aumento de tarifa. Mas o próprio Fed tem chamado a atenção de que essas tarifas estão levando a aumento de expectativas de inflação. E aí quando você quer reagir a efeitos secundários de política monetária, de choque de oferta, aí você já tem que começar a levar em consideração o que está tendo impacto sobre expectativa de inflação”, disse.

Para o Brasil, segundo Guillen, ele citou que, no balanço de riscos levantado pelo Comitê de Política Monetária, existem fatores de alta e de baixa quando se trata de cenário externo. “Os riscos de alta, seja política doméstica ou externa, tendo impacto sobre câmbio, e no risco de baixa, o que vai acontecer, por exemplo, com o crescimento global. Na ata, a gente falou de um crescimento global menor, ou o que vai acontecer com o câmbio do dólar global nesse cenário. Então é um cenário de incerteza que abre mais o leque”, avaliou.



Por: Source link

Estadão

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