Lula diz que Brics não deixou de fazer sua parte para conservar o meio ambiente


Por Redação O Estado de S. Paulo – 07/07/2025 11:01

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o Brics não deixou de fazer a sua parte para a conservação do meio ambiente, enquanto “o negacionismo e unilateralismo corroem avanços e sabotam o futuro”. De acordo com o petista, é preciso colocar o desenvolvimento sustentável no “centro do debate”.

As declarações do ocorreram durante a abertura da sessão plenária “Meio Ambiente, COP 30 e Saúde Global”, o último encontro da Cúpula dos Brics, o grupo de países que reúne as principais economias emergentes do mundo, como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

A reunião acontece no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. Há a expectativa que, após o encontro, sejam publicadas duas resoluções sobre o tema da sessão. Às 13h, Lula deve conceder entrevista coletiva à imprensa.

O presidente afirmou também que o aquecimento global ocorre em ritmo mais acelerado do que previsto e destacou que, uma década após acordo de Paris, faltam recursos para transição justa. “Os países em desenvolvimento serão mais impactados por danos (ambientais)”, declarou Lula, defendendo ainda que é inadiável promover a transição justa para fim do uso de combustíveis fósseis.

Ao discursar sobre a erradicação de doenças socialmente determinadas, Lula disse que, se as moléstias atingissem países ricos, “já teriam sido erradicadas”. Para combatê-las, o petista alertou para a necessidade de “espaço fiscal”.

“No Brasil e no mundo, a renda, a escolaridade, o gênero e o local de nascimento determinam quem adoece e quem morre. Muitas das doenças que matam milhares em nossos países, como o Mal de Chagas e a cólera, já teriam sido erradicadas se atingissem o norte global. Implementar o ODS 3 (Saúde e Bem-estar) requer espaço fiscal”.

Fundo remunerará serviços prestados ao planeta

Lula afirmou que Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), que será lançado na COP 30, irá remunerar os serviços ecossistêmicos prestados ao planeta.

De acordo com o mandatário, os incentivos dados pelo mercado vão na contramão da sustentabilidade. Lula citou que, em 2024, os 65 maiores bancos do mundo se comprometeram a conceder US$ 869 bilhões para o setor de combustíveis fósseis. “Taxonomias sustentáveis e unidades de contagem de carbono justas e inclusivas podem atrair investimentos produtivos verdes e justos”, afirmou Lula.

O presidente disse ainda que a Declaração-Quadro sobre Finanças Climáticas do Brics, que será adotada hoje, apresentará as fontes necessárias e modelos alternativos para o financiamento climático.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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