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Não há sangria para petróleo do País; exportações podem ser reorientadas, diz Ardenghy, do IBP


O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardenghy, disse nesta quarta-feira, 2, que as consequências do tarifaço do governo americano para o petróleo brasileiro ainda não estão claras, mas que, de toda forma, não serão uma “sangria” para o setor.

Ardenghy lembrou que os 10% são uma média para a pauta das importações que chegam do Brasil e que, portanto, a tarifa para o petróleo pode ser menor. O produto, disse, poderia ser, inclusive, “excepcionado” da lista de taxações, uma vez que os EUA são deficitários no setor: produzem uma média entre 14 milhões e 15 milhões de barris de óleo bruto, mas consumindo 21 milhões de barris por dia.

As tarifas por setor devem ser divulgadas pelo governo americano nas próximas horas, mais tardar amanhã.

“Os EUA importam pouco mais de 6 milhões de barris de petróleo todos os dias, a maior parte do Canadá e do México, mas também de países como Arábia Saudita e outros do Oriente Médio, além de um pouco do Brasil”, diz. “Taxar o produto só vai aumentar o preço dos combustíveis para o próprio consumidor final americano. E o petróleo é, em boa medida, inelástico, sem alternativa no curto prazo. Então, será que vão mesmo colocar isso? A gente acha que o petróleo pode ser excepcionado deste tarifaço”, enfatizou o presidente do IBP.

Exportação aos EUA

Segundo o instituto, entre 2019 e 2024, o Brasil exportou, na média, 1,4 milhão de barris de petróleo por dia, sendo 162 mil bpd (11%) para os EUA. Especificamente em 2024, esse volume aos EUA chegou a 239 mil bpd, cerca de 14% do total exportado pelo Brasil, o que coloca os EUA como 2º destino da produção brasileira. Hoje, disse ele, essa exportação aos EUA está pouco abaixo dos 200 mil bpd.

Segundo Ardenghy, a guerra na Ucrânia pesou para o aumento das exportações brasileiras de óleo bruto aos EUA, uma vez que o país buscou substituir o que vinha de países ora embargados, como a Rússia. Além dos EUA, outro mercado que o petróleo brasileiro passou a alimentar, de forma inédita, foi o europeu, sobretudo Holanda e Espanha.

Sem sangria

Perguntado sobre o caso de a tarifa ao produto ficar mesmo em 10%, Ardenghy disse que isso vai afetar as operações de exportações de quase todas as empresas que atuam no Brasil, mas não será uma “sangria” porque a demanda global vai permanecer e o produto brasileiro vai ser reorientado a outros mercados – em um rearranjo similar, mas em escala menor ao que aconteceu na esteira da guerra na Ucrânia.

As mais afetadas, diz Roberto Ardenghy, seriam as petroleiras que têm operações mais voltadas à exportação, como as chamadas “majors” que não a Petrobras (que destinou só 9% das exportações de petróleo aos EUA no quarto trimestre e tem operação verticalizada no Brasil) e as chamadas petroleiras independentes com maior exposição ao mercado externo.

“Mas esse impacto não será duradouro: o produto vai achar outro destino; vai ser feito um rearranjo porque esse movimento não reduz a demanda”, disse Ardenghy.



Por: Source link

Estadão

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