não matei, não trafiquei, apenas pedi um passaporte para meu pai


Preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira, 13, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado afirmou que não matou, não traficou e não teve contato com traficante ao chegar no Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro, em Recife, para exame de corpo de delito.

“Venho a público reafirmar minha total inocência. Não cometi crime algum. Não matei, não trafiquei drogas, não tive contato com traficante. Apenas pedi um passaporte para meu pai, por telefone, aqui no Consulado Português do Recife, no qual ele foi no outro dia. Ele tem 85 anos. No outro dia, eu entrei em contato e ele foi lá no consulado, juntamente com meu irmão. E o passaporte, se ele não recebeu, está para receber a renovação do passaporte português dele. não estive presente em nenhum consulado, em nenhuma embaixada, nem Portugal”, afirmou.

A representação encaminhada ao STF pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, aponta que a Polícia Federal informou que Machado teria atuado para facilitar a saída de Mauro Cid do território brasileiro. A PGR acusa o ex-ministro de obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e favorecimento pessoal.

“Com base nas informações, a Procuradoria-Geral da República entendeu haver indícios suficientes de que Gilson Machado estivesse atuando para obstruir a instrução da Ação Penal n. 2.688/DF e das demais investigações que seguem em curso, possivelmente para viabilizar a evasão do país do réu Mauro Cesar Barbosa Cid, com o objetivo de se furtar à aplicação da lei penal, tendo em vista a proximidade do encerramento da instrução processual”, diz o requerimento da PGR.

De acordo com o advogado de Machado, Célio Avelino, a defesa ainda não teve acesso ao processo e não sabe qual o motivo da prisão do ex-ministro do Turismo.

“A Polícia Federal recebeu, do ministro Alexandre de Moraes, um mandado de prisão preventiva, mas não disse os motivos da prisão. Ele prestou depoimento, esclareceu o que perguntaram a ele sobre se teria interferido para conseguir um passaporte para o tenente-coronel Mauro Cid. E ele disse que não. E é só isso que eu sei”, disse o advogado.

Segundo a PGR, no dia 12 de maio, Gilson Machado procurou o Consulado de Portugal no Recife com o objetivo de obter um passaporte português para Mauro Cid e, com isso, “viabilizar sua saída do território nacional”. O documento não foi emitido.

Paulo Gonet defende que a fuga teria sido articulada “tendo em vista a proximidade do encerramento da instrução processual” da ação penal da trama golpista, em que Mauro Cid é um dos réus. O tenente-coronel fechou delação premiada no processo.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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